16 julho 2009

Receio

Este estado de inquietação pouco ou nada tem a ver com EM.

Tem a ver com o meu trabalho, onde neste momento se vive num ambiente de incerteza, onde todos os colegas, para além do muito trabalho que têm(tanto que é demais para que as coisas corram bem!) discutem sobre o seu futuro, ou seja, onde normalmente se fala de questões complexas que têm a ver com a função, agora fala-se em anos de descontos para a segurança social, anos de contrato, Despedimento Colectivo, subsidio de Desemprego...

Tudo isto provoca um estado de permanente pânico, independentemente de se valorizar ou não os rumores, que por enquanto não passam disso mesmo, pois ainda não há despedimentos Efectivos, apenas o “convite” por parte da Administração para que os colaboradores pensem em rescindir contrato porque as espesas têm que ser reduzidas!
Até agora, as pessoas “convidadas” são as que estão mais perto da idade da reforma, que são ao mesmo tempo as que têm os salários mais chorudos, mas também os mais experientes e cuja ausência pode dificultar o normal funcionamento da empresa.

Isto leva-nos a mais um dilema! Será o objectivo da Administração negociar com estas pessoas que devido ao nº de Anos de Serviço e ao ordenado auferido sairiam muito dispendiosas num hipotético despedimento colectivo? ou será uma aposta na reestruturação da Empresa, comprometendo o normal funcionamento da mesma?

Seja qual o desfecho, não se avizinham tempos fáceis, tanto para os que vão, como para os que ficarem, pois esses vão sem dúvida ficar em maus lençóis, devido ao acumular de tarefas, algumas das quais sem qualquer tipo de preparação, embora seja esse um mal menor para aqueles que como eu, precisam muito deste emprego.

Pessoalmente tenho uma gratidão para com esta Empresa, que dificilmente qualquer coisa de menos bom que possa acontecer nesta fase critica de toda a economia mundial, possa abalar esse sentimento.
Não posso esquecer nunca, que em 1998 quando me foi diagnosticada EM, eu tinha sido admitido à seis meses, fiz no entanto questão de não esconder de ninguém a gravidade da doença. A compreensão demonstrada permitiu-me prosseguir com trabalhos menos exigentes fisicamente e explorar assim algumas capacidades que eu próprio desconhecia e nem sequer me mostrava interessado em aprofundar.

Ao longo destes anos consegui, ao contrario do que seria de esperar, ser por várias vezes promovido, tendo chegado recentemente a um posto de algum destaque que parecia inicialmente impossível de alcançar.
Posso garantir que subi a pulso, e por isso neste momento, ser dispensado ou a Empresa ser obrigada a encerrar portas seria para mim como “morrer na Praia”.

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