O nascimento do meu filho foi o acontecimento mais inesquecivel da minha vida e dificilmente encontrarei adjectivos que possam descrever a emoção sentida.
Acompanhei o parto do primeiro ao último segundo, primeiro estando junto da minha esposa, solidário com a dor, com uma força interior difícil de explicar, que passou para fora e permitiu que todas aquelas horas de espera corressem muito bem, tanto para mim como para a mãe.
Nem o facto de a certo momento me ter apercebido que o parto teria que ser realizado com recurso a forceps me intimidou ou fez com que tivesse qualquer tipo de receio. Permaneci firme como se estivesse hipnotizado, ou tivesse de repente adquirido uma força sobrenatural, pois parecia que naquele momento nada me poderia derrubar, fazer suar ou engolir em seco...estava perfeitamente consciente de tudo o que se estava a passar, e no entanto com um autodominio total do meu corpo e alma.
Quando finalmente nasceu aquele menino tão perfeito e tão bonito, tive então o privilégio de ser o primeiro a vê-lo e a pegar nele ao colo!!
O mais INESQUECIVEL estaria guardado para talvez uma hora depois do nascimento, já no quarto, depois de ter feito aquela limpeza pós parto, e depois de ter tomado a sua primeira refeição, sentir o carinho da mãe de uma forma diferente à que estava habituado até então, chegou o tal momento mágico.
Sentado no sofá ao lado da cama onde a minha esposa recuperava forças, peguei novamente no Filho sobre as minhas pernas e coloquei a minha mão direita sobre o seu peito, para o sentir, ali...em contacto directo. Todos os dias comunicavamos, eu falava-lhe baixinho, e ele depois dava-me pontapés...
Naquele momento foi já uma conversa mais séria, ainda que sem palavras, em breves segundos conseguiu silenciar-me durante horas, marcou a sua posição de forma inequívoca ao agarrar fortemente dois dedos da minha mão que estava sobre o seu peito, e em silencio, olhou-me fixamente com os olhos bem abertos apesar de ainda não estar a ver nada, como que dizendo:
Olha bem para mim, porque agora estou cá fora e não te vou largar.
19 outubro 2009
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