19 outubro 2009

O meu filho

O nascimento do meu filho foi o acontecimento mais inesquecivel da minha vida e dificilmente encontrarei adjectivos que possam descrever a emoção sentida.

Acompanhei o parto do primeiro ao último segundo, primeiro estando junto da minha esposa, solidário com a dor, com uma força interior difícil de explicar, que passou para fora e permitiu que todas aquelas horas de espera corressem muito bem, tanto para mim como para a mãe.

Nem o facto de a certo momento me ter apercebido que o parto teria que ser realizado com recurso a forceps me intimidou ou fez com que tivesse qualquer tipo de receio. Permaneci firme como se estivesse hipnotizado, ou tivesse de repente adquirido uma força sobrenatural, pois parecia que naquele momento nada me poderia derrubar, fazer suar ou engolir em seco...estava perfeitamente consciente de tudo o que se estava a passar, e no entanto com um autodominio total do meu corpo e alma.



Quando finalmente nasceu aquele menino tão perfeito e tão bonito, tive então o privilégio de ser o primeiro a -lo e a pegar nele ao colo!!

O mais INESQUECIVEL estaria guardado para talvez uma hora depois do nascimento, já no quarto, depois de ter feito aquela limpeza pós parto, e depois de ter tomado a sua primeira refeição, sentir o carinho da mãe de uma forma diferente à que estava habituado até então, chegou o tal momento mágico.
Sentado no sofá ao lado da cama onde a minha esposa recuperava forças, peguei novamente no Filho sobre as minhas pernas e coloquei a minha mão direita sobre o seu peito, para o sentir, ali...em contacto directo. Todos os dias comunicavamos, eu falava-lhe baixinho, e ele depois dava-me pontapés...
Naquele momento foi já uma conversa mais séria, ainda que sem palavras, em breves segundos conseguiu silenciar-me durante horas, marcou a sua posição de forma inequívoca ao agarrar fortemente dois dedos da minha mão que estava sobre o seu peito, e em silencio, olhou-me fixamente com os olhos bem abertos apesar de ainda não estar a ver nada, como que dizendo:


Olha bem para mim, porque agora estou cá fora e não te vou largar.



08 outubro 2009

Dor reconfortante

Ignoro a dor, talvez não devesse...mas como se faz isso? Normalmente dói-me Sempre algumas coisas, por isso mesmo não ligo nem me queixo, quase sempre ninguém nota, quando isso acontece é porque não posso disfarçar ou quando tenho mesmo que tomar um analgésico. Se acordo e não me dói nada, estranho, tenho medo e belisco-me...assim tenho a certeza que posso sentir a minha Dor!

07 outubro 2009

Dia D

Finalmente chegou o dia. Depois de tanto tempo a planear e imaginar como iria ser, chegou a "hora da verdade", o dia do nosso casamento.
É difícil para mim descrever o sentimento nesse dia, talvez por ser tão desejado, e ao mesmo tempo de alguma forma receado, apenas pela ideia errada de que algo poderia correr mal ou de forma diferente da esperada. Como poderia algo correr mal se todos fizeram o seu melhor para estar tudo como previsto?

Depois de uma noite mal dormida era hora de levantar, enfrentar o desconhecido, todos aqueles que nos são queridos com os olhos em nós...
São as pessoas que melhor nos conhecem, precisamente aquelas que não queremos desiludir.
De toda a cerimónia a recepção aos convidados foi o mais difícil, não só por ser o inicio de tudo, mas também por um sentimento que é um misto de orgulho e raiva, com um pouco de pena à mistura, somado ao desconhecido e à felicidade...enfim, uma mistura daquelas!

Orgulho pela minha mãe, que sósinha conseguiu proporcionar-me tudo o desejável.
Raiva e pena pelo meu pai, que sozinho conseguiu fazer precisamente o contrário.
Felicidade e nervosismo com fartura!

O Mosteiro dos Jerónimos é algo verdadeiramente grande e intimidador, mete respeito!
Depois do atraso da praxe, finalmente chega a Noiva! Aquele tempo que levou a percorrer os metros, da entrada até ao altar, foi interminável...Parecia em camera lenta!

Creio que esse é um momento verdadeiramente especial para a noiva, porventura aquele mais marcante de todo o casamento, certamente inesquecivel.

Passada a expectativa tudo parece fluir naturalmente, a felicidade passa a dominar e inibe qualquer sentimento de receio ou insegurança e voltamos a ser nós...
01 de Setembro de 2001 foi o dia escolhido para oficializar uma relação há muito consolidada, que tinha sido posta em causa uma única vez, ainda que por breves instantes, pela EM.

Pude assim confirmar que o Amor, quando verdadeiro é muito mais forte que qualquer imprevisto.