13 junho 2009

EM-Antes do Diagnóstico II

-Ok, não tenho Nada!! Ufa!!estava a ficar preocupado! Lá por não ver um Boi à minha frente não quer dizer alguma coisa esteja mal, certo? O Doutor disse que está tudo Bem!!

Realmente, alguns dias depois a visão melhorou, como que por Milagre! agora só tinha que acabar os comprimidos para a Infecção Urinaria e tudo voltaria ao normal, até porque aquilo de tropeçar nas cascas de Amendoim que ficam por ai espalhadas era inevitável para quem estava a ver tão mal?


As dificuldades no caminhar agravaram-se nas semanas seguintes, estava constantemente cansado só pelo simples facto de estar de pé, e era pior quando andava, tropeçava em tudo e tinha Desequilíbrio.

Procurei então ajuda no meu Médico de Família, que não acreditou em nada do que dizia e achou que eu devia ser Observado por um Psiquiatra. A minha reacção na altura foi muito Negativa e ainda hoje lhe guardo algum Rancor ao ponto de só lá ter ido depois, com o único objectivo de lhe comunicar que afinal tinha EM.
(Agora compreendo que o diagnostico de EM não é fácil, e seria muito mais Difícil à 12 anos, quando a doença era praticamente desconhecida.)

Estive na expectativa até não poder mais, quase não podia andar quando fui novamente ao Hospital de S. José onde fiquei internado.
Os dias seguintes foram Muito penosos, estive no serviço de SO durante seis ou sete dias antes de ser transferido para uma Enfermaria.
Durante os dias que estive em SO não almocei ou jantei uma só vez, pois o meu sentimento de Angustia retirou-me o apetite por completo.
O SO era na altura um espaço junto às Urgências, onde ficavam as pessoas que precisavam ficar Internadas mas não tinham vaga nas Enfermarias da Especialidade.
Era um sitio Surreal, que parecia de um qualquer filme de Guerra, pois para alguém que se encontra debilitado, estar tantos dias numa Maca, fechar por instantes os olhos e acordar minutos depois num local diferente ou simplesmente ao lado de outras pessoas desorienta qualquer um.

Muito importante foi a presença da minha Namorada, agora Esposa e mãe do meu filho, que foi incansável, sempre presente e encorajadora, foi ela que me deu a força para aguentar aqueles dias terríveis mas necessários.

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