23 agosto 2009

Ano 2000

Ano 2000, novo Milénio, vida nova! Depois de passada a fase critica era tempo de prosseguir com a normalidade possível e desejada, eu e a minha companheira decidimos casar.

Para isso começámos por procurar casa, tarefa que se revelou nada fácil numa altura em que os preços estavam muito inflacionados e apesar da oferta ser muita, só encontrámos algo dentro das nossas possibilidades e minimamente compatível com os nossas necessidades, um apartamento localizado a 30 KM das nossas referências, família, emprego, amigos, enfim, longe de tudo o que era nos era familiar e a nossa rotina. Se bem que o casamento pressupõe uma mudança total do estilo de vida, teria sido muito agradável termos por perto alguém que fosse nosso conhecido, pelo menos, alguém que com a sua presença nos permitisse sentir em “casa”.
A escolha do local onde iríamos morar foi portanto difícil e só a enorme vontade de casar e ter o nosso espaço nos permitiu avançar sem medo e com a certeza de que tudo iria correr bem.

Depois de tomada a decisão iniciá-mos a preparação do nosso “ninho”, o que demorou mais de um ano, desde as pinturas a questões relacionadas com segurança, tudo foi pensado ao pormenor, sempre ponderando as nossas possibilidades para não arriscar dar um passo maior do que a perna, mas ainda assim algumas coisas foram feitas como se aquela casa fosse A Casa.

Era também tempo para os preparativos para a Boda, e novamente começaram as escolhas...Dia, Local e tudo o resto que um evento desta importância requere. Este é um dia único, e por isso decidimos torná-lo inesquecivel, para nós e para todas as pessoas que nos deram a honra da sua presença.

Os convidados estavam naturalmente escolhidos e para pessoas tão Importantes tinha-mos que encontrar um cenário à altura!

E se fosse o Mosteiro dos Jerónimos?

10 agosto 2009

Querida Mana

Quando menos se espera a vida oferece-nos uma partida sem graça nenhuma. Não escolhe o Alvo e não se preocupa com os danos que daí advêm. Resta aos afortunados sorrir e seguir em frente, como se aquela brincadeira fosse simplesmente de Mau Gosto.

Parece que estamos permanentemente em teste, provas Duras que nos amadurecem e ao mesmo tempo nos tornam rijos e amargos, prontos para enfrentar cada partida tonta que teime em aparecer em cima da mesa de jogo. No inicio podemos até nem conhecer as regras, podemos ter ouvido falar...podemos ter que fazer bluf ou até mesmo batota, mas a Vida é o Jogo que temos que Vencer!

Adoro-te Mana.

02 agosto 2009

Dormir Acordado

Durante uma das noites que por vezes passo sem dormir fiz um Zapping pelas lembranças da minha vida.

Das diversas historias vividas ao longo dos anos, sem qualquer tipo de relação aparente entre elas, encontrei algo comum a Todas.
Provavelmente nada acontece por acaso, de todas as coisas vividas, por mais pequenas que sejam ou insignificantes que pareçam na altura, há qualquer coisa que devemos guardar como experiência Vivida e usá-la futuramente como exemplo para agir de determinada forma.
Desta reflexão nocturna nasceu uma frase que acho importante e que nessa mesmo noite decidi escrever.
Eram quatro e ...? da madrugada, ser apanhado a escrever uma coisa destas num papel poderia ser interpretado de forma errada, decidi por isso mandar um SMS para a minha esposa que dormia a meu lado. Creio que não foi a melhor opção porque no dia seguinte, quando leu a mensagem ficou igualmente preocupada!

"Obrigado a todos que conheço, a todos que em certa altura julguei conhecer, e aos que embora não conhecendo fizeram por mim algo que jamais esquecerei!"

A minha memória recuou no tempo até uma data em que não tinha mais do que 5 ou 6 Anos, (30 Anos atrás).
Durante uma brincadeira normal para uma criança daquela altura, (nesse tempo as crianças brincavam com quase tudo, na maioria das vezes tinham que se Construir os brinquedos para o efeito), Precisava de algo que me permitisse cortar algo que não me recordo ...

Ali perto estava um velhote sentado numa cadeira, com uma manta sobre as pernas apanhava um pouco de Sol da manhã, provavelmente aquele senhor que nunca tinha visto, estaria Acamado, e estava ali sentado precisamente para isso, apanhar um pouco de Sol.

Precisava mesmo de cortar aquela coisa, e como sabia que era comum os velhotes terem consigo um canivete de bolso...estava ali a solução para o meu problema!
Dirigi-me ao senhor e perguntei-lhe se tinha um canivete que me pudesse emprestar por um bocadinho...

O Sr. Disse-me que sim. Tenho aqui este canivete, se conseguires Abri-lo podes ficar com ele!
Assim foi, tive habilidade suficiente para abrir o Canivete (nunca tinha visto e nunca mais vi nenhum assim!) e o senhor simplesmente deu-me aquele objecto que naquele momento me fez tanto jeito?


Passados trinta Anos continuo a guardar Religiosamente esse Objecto,nunca o tendo perdido de vista ao longo de todo este tempo.

Uma acção praticada por alguém que não conheci, não sei como se chamava, fez por mim algo que jamais esquecerei!



Pessoas que por alguma razão, em determinada fase da nossa vida
Fizeram parte dela, que foram valorizadas ou sobre valorizadas, e que demonstraram depois o seu real Valor.
Obrigado a essas pessoas que me ensinaram que nem sempre o que parece, É...

Essa vivência fez-me adoptar a seguinte postura relativamente à avaliação das Pessoas:

Qualquer pessoa que me seja apresentada, independentemente de estatuto Social; aspecto Físico; Sexo ou Idade, parte da minha “escala de avaliação” do ponto ZERO. Se sobem ou descem na minha consideração só o Tempo o dirá.
Como em todas as Regras há excepções, quando se trata de um Amigo de um Amigo, garantidamente não vai começar do zero...

As pessoas que Conheço são os meus Familiares e Amigos.

Por tudo , por nada, por aquilo que não consigo explicar e por tudo o que tem uma explicação muito fácil, graças às pessoas que Conheço e Amo, que tornam a Dor Suportável, mas também Graças às pessoas que não conheço, de todo e me esforço por conhecer e também aos que em tempo conheci e me tento esquecer.